O que é a Internet das coisas?

A Internet passou por mudanças drásticas desde sua disseminação global nos anos 90, sendo que a mais recente veio com a revolução mobile. O que muita gente não sabe é que a próxima revolução já está chegando…

Imagine uma geladeira que sabe quando o leite vai azedar, sugere receitas com as comidas armazenadas e até te ajuda a fazer as compras. Parece coisa do futuro? O futuro é hoje: a LG já tem uma geladeira assim no mercado. E uma campainha que te permite interagir com visitantes usando video e abrir a porta para eles de qualquer lugar do mundo? Essa é a proposta da Doorbot, cujo design lembra bastante o HAL9000 do clássico 2001: Uma Odisséia no Espaço. O que essas invenções têm em comum? Ambas fazem parte da nova revolução da Internet, a chamada “Internet das coisas”.

O conceito não é novo, mas teve seu boom em 2013!

Embora apenas recentemente a tecnologia evoluiu a ponto de permitir o surgimento desses produtos, o termo “Internet das coisas” foi cunhado há 15 anos atrás por Kevin Ashton e o conceito por trás é discutido nas universidades desde o início dos anos 90.  Fazendo uma busca no Google Trends, vemos que quase não se noticiava o assunto antes de 2007 e houve uma explosão no número de notícias a partir de 2013. A idéia é bem simples: como podemos usar o poder da Internet para melhorar o funcionamento de objetos e dispositivos?

Hoje temos vários sistemas que estão desconectados, mas geram dados que podem ser relevantes num contexto maior, permitindo análises mais refinadas dos nossos problemas. Um monitor de sinais vitais conectado à rede mundial, por exemplo, poderia permitir o acompanhamento de vários pacientes por um médico em tempo real. A medição de temperatura realizada por sistemas de climatização poderia dar um retrato mais fiel do efeito da urbanização na temperatura da cidade. Mais que isso, podem permitir um melhor uso dos nossos recursos energéticos, através do conceito de smart grid. Sem dúvida, o leque de possibilidades é imenso.

Essa é uma tendência que veio para ficar… mas será que isso é bom?

A possibilidade de conectar diversos dispositivos do dia-a-dia à Internet para permitir novas funcionalidades é uma tendência que chegou e veio para ficar: um artigo recente da Forrester Research para a Forbes indica que a Internet das coisas é uma das dez tendências em tecnologia de 2014 em diante. Até 2020, estima-se que teremos 50 bilhões de dispositivos conectados!

Mas há quem, ao invés de celebrar, tema as consequências dessa revolução. Com o seu fogão ligado à Internet, o que impediria um hacker de invadir o seu sistema e ligá-lo remotamente, causando uma emergência doméstica? E será que o fluxo de dados trafegando pela Internet vai crescer tanto que a infraestrutura existente não vai dar conta? Essas dúvidas só devem ser resolvidas nos próximos anos. Enquanto isso, use sua imaginação para pensar nas próximas invenções que farão parte dessa nova Internet… e faça você mesmo!


Engenheiro Mecatrônico formado pela Universidade de Brasília, George Brindeiro é CEO da Overdrive Eletrônica, startup que visa cultivar criatividade e inovação na América Latina através do open hardware, sob a premissa de que “todo mundo nasce um inventor”.

Comentários